Quanto custa morar na Itália

28 de Abril de 2020

Esse post é para exemplificar o que a gente chama de #RealidadeNômade: vamos mostrar quanto custa morar na Itália abrindo nossos gastos com hospedagem, alimentação e transporte durante os quase três meses que ficamos por lá.

Criamos um infográfico que resume os valores e mostra de uma maneira mais simples a distribuição desses gastos.

custo de vida na itália
Livorno, Itália

Acredito que seja importante deixar uma contextualização. Por experiência própria, sei que a gente tem tendência à olhar os valores e desconsiderar muita coisa que é importante para entender aquele gasto. Então leve os seguintes pontos em consideração:

  1. Nesses números estão a soma do que a Barbs e eu tivemos de gastos juntos;
  2. A Itália foi o primeiro país da nossa vida nômade, como falamos no post que resumimos como foi morar lá pelo aspecto da experiência. Então não tínhamos referência própria (histórico) até então;
  3. Ficamos na Itália entre maio e julho de 2019. Era verão, alta temporada e isso impacta na disponibilização e preço de produtos e serviços locais;
  4. A exposição dessas informações financeiras não tem outro objetivo que não seja o de mostrar a nossa realidade como nômades. Se algo não ficar claro, fique à vontade para usar a sessão de comentários ao final desse post (um registro no próprio post ajuda os outros visitantes). Iremos responder o quanto antes;
  5. Os gastos de cunho pessoal ou profissional, como compra de equipamentos ou roupas em promoção, não constam nesses gastos. Mas gastos como papel higiênico e shampoo pra barba entram. A ideia é que a gente possa comparar o nosso estilo de vida nos lugares;
  6. Na Itália eu não fiz a separação do que era supermercado / feira de restaurante / lanchonete. Como isso passou a fazer muita diferença no nosso orçamento, a partir do país seguinte passamos a separar as coisas;
  7. Os valores de transporte fornecidos no infográfico incluem todos os transportes que pegamos dentro da cidade e mais a passagem de trem para chegar até cada cidade;
  8. Na época que fomos para a Itália, o Euro (moeda local) estava custando uma média de R$4,20. Todos os gastos nesse post estão na moeda local.

Planilha de gastos

Utilizamos uma planilha bem simples para anotar os nossos gastos, que disponibilizamos grátis pra download aqui.

Sugiro que, independente do seu estilo de vida – nômade ou não -, sempre anote seus gastos. Conhecer eles é fundamental para uma boa saúde financeira e mental.

Segue o infográfico resumindo os valores:

infográfico com o custo de vida na itália
Infográfico com o resumo de quanto custou morar na itália

Irei falar sobre cada categoria – hospedagem, alimentação e transporte – de acordo com a cidade que moramos e explicá-las aos poucos. Ao final, irei apresentar algumas constatações.

As cidades que moramos

Nós moramos em três cidades na Itália: Livorno, Perugia e Soriano Nel Cimino, e provavelmente você nunca ouviu falar de nenhuma das três, assim como a gente até então.

Fomos parar em cada uma delas por um único motivo: apresentavam o melhor custo-benefício de estadia. Aqui vou explicar mais detalhadamente os gastos que tivemos em cada uma.

Livorno: a estadia mais longa e barata

Livorno foi a primeira cidade que a gente ficou na Itália. Foram 31 dias de Airbnb em um apartamento que, mesmo não tendo forno e máquina de lavar, se tornou um xodó por ser o primeiro lugar que ficamos.

Ruas de Livorno

Hospedagem

Negociamos o preço do apartamento pra poder ficar dentro do nosso orçamento (na época, algo em torno de 700€ ) e conseguimos fechar por 547€ para 31 dias. Tudo pela plataforma do Airbnb.

Não lembro o preço original da estadia, mas lembro que ele estava um pouco acima do orçamento mensal. Foi mais de 20% de desconto e desde então a gente passou a pedir algum percentual, argumentando que iremos ficar bastante tempo, que cuidamos da casa como se fosse nossa e que temos um bom histórico (o anfitrião pode confirmar no nosso perfil do Airbnb).

Alimentação

Livorno foi a cidade que mais gastamos com alimentação no geral. O que é perfeitamente plausível, levando em consideração que foi a primeira cidade e a primeira vez que estávamos aprendendo a viver a vida nômade. Gastamos um total de 636€ com alimentação em Livorno.

É normal que se gaste mais nos primeiros dias em cada lugar, já que vamos aprendendo aos poucos onde fica o supermercado com melhor custo-benefício, onde é melhor comprar frutas e verduras frescas, etc. Mas acredito que Livorno, por ter sido a cidade com mais ofertas de restaurantes e bares, nos fez gastar mais nessa categoria.

Transporte

Pegamos poucas vezes o ônibus para nos locomover na cidade. Nossa casa ficava a uns 20 minutos a pé da estação de trem e na maioria das vezes fizemos esse trajeto assim. Fomos de trem de Roma pra Livorno e essa passagem somada aos poucos ônibus que pegamos totalizam um gasto de 67€.

Lazer

Algo que nos surpreendeu de forma negativa, em questão de preço, foi o valor do ingresso para ir ao cinema. A gente tem o hábito de ir ao cinema uma vez na semana ou a cada 15 dias desde a época que morávamos em Botafogo (rodeados de salas de cinema).

Infelizmente o preço médio de um ingresso de cinema na Itália era algo em torno de 15€. Eventualmente apareciam umas promoções em algumas cidades, como Perugia, por 5€, mas ainda assim era caro para o que a gente estava acostumado (convertendo em BRL).

Perugia: pouca coisa pra fazer, bora economizar

Quando fomos para Perugia, capital da maior região da Itália, esperávamos que as ofertas de “cidade grande” fossem maiores. De fato encontramos alguns supermercados como o da rede LIDL, que tem produtos mais em conta, porém nós estávamos numa área bem central da parte “nova” da cidade.

Afastados do centro histórico, bonito e tradicional, e próximos a prédios e lojas comerciais que durante o final de semana e na parte da noite pouco tinham a oferecer.

Hospedagem

Mais uma vez negociamos o valor e conseguimos um bom desconto, porém foi a cidade onde mais gastamos com a hospedagem, um total de 613€ para 30 dias. Apesar de estar dentro do nosso orçamento, foi a pior casa que nos hospedamos (a única que tivemos problemas), como falamos nesse post e nesse vídeo.

Rua em Perugia e interior do mini-metrô

Alimentação

Longe da parte legal da cidade, sem muita oferta de restaurantes e bares e com a nossa rotina mais caseira, pudemos economizar comendo em casa. Porém, ainda assim Perugia teve o segundo maior gasto com alimentação, um total de 445€.

O calor também intensificou nossa vontade de ficar em casa. Tentávamos ir às compras bem no início ou no final do dia para evitar o sol quente e nos finais de semana assistíamos série. Essa rotina mais fechada facilitou a economia e Perugia fez com que ficássemos ainda mais dentro do orçamento.

Transporte

Sempre que queríamos ir no centro histórico (passear e conhecer), precisávamos pagar a passagem de ida e volta do mini metrô. Usamos bastante esse transporte. A soma dele com a passagem de Livorno para Perugia nos deu um gasto total de 71€ com transporte, o valor mais caro na comparação das cidades.

Soriano Nel Cimino: cidade pequena de bons hábitos

Quando a gente chegou na casa de Soriano sentimos um alívio grande. Mesmo sendo uma cidade pequena e no alto de um morro, estávamos no centro histórico e rodeados de mercados locais.

Ruas de Soriano nel Cimino

Hospedagem

Em preço negociado foi a mais barata (564€) , mas se dividir pelo número de dias (20) que ficamos dá pra ver que ficou acima do pago nas outras cidades. Essa foi a nossa casa preferida, era gigante e muito confortável. Das três, é que mais voltaríamos para passar um tempo maior.

Alimentação

Em Soriano, o gasto foi um pouco próximo de Perugia em comparação à quantidade de dias. Gastamos um total de 316€ com alimentação em 20 dias.

Ali aprendemos a fazer compras em lugares separados: itens de higiene e limpeza a gente comprava no supermercado; itens específicos de alimentação, como massa, legumes, prosciutto e vinho, a gente comprava nas lojas e mercados locais.

Dica pra comprar vinho bom e barato: sempre que entrar em um local que venda vinhos em barril, compre, pois vale a pena! A produção é artesanal e ou você leva sua própria garrafa ou pede uma emprestada. Eles enchem e colocam a rolha. O litro do vinho saía por menos de 1€. Que vida, amigos!

Transporte

Em Soriano não usamos nenhum transporte público, já estávamos no núcleo principal. Portanto, os únicos gastos que tivemos com transporte foram a passagem de Perugia para lá e uma carona da nossa casa até a estação de trem quando estávamos deixando a cidade, que somam 36€.

Comemos bem e descansamos bastante.

Passeios pela Itália

Consideramos os valores apresentados acima como nossos gastos fixos. E consideramos como custos variáveis os gastos com passeio, ou seja, conhecendo as cidades vizinhas. Não costumamos pagar para entrar em atrações turísticas, e na Itália não foi diferente. Portanto, dividimos os gastos em alimentação e transporte.

Fomos à Roma e não vimos o Papa! Já preciso deixar isso claro. Vaticano não era a nossa prioridade, mas na próxima oportunidade acho que a gente faria um esforço para adicionar.

Como estávamos em alta temporada, não estava valendo a pena financeiramente para ir aos locais de praia que estavam lotados. Como já diz o nosso nome, ficamos mais like a local e, assim como os italianos, deixamos para visitar essas cidades de praia em outra época do ano.

Vantagem de ficar em cidade menor

Uma outra estratégia que pensamos quando fechamos o apartamento nessas cidades desconhecidas que ficamos – além do preço -, era a possibilidade de conhecer alguns lugares famosos da Itália sem ter que ficar hospedado na cidade.

Ficar hospedado em Florença era caro, mas Livorno, por exemplo ficava a 1h de trem de lá. Pudemos ir no início do dia e voltar no final da tarde, e conhecemos uma boa parte da capital da renascença à pé.

Florença foi a cidade mais afastada de Livorno que visitamos e, consequentemente, o maior gasto com transporte em passeios.

Torre de Pisa e Catedral de Santa Maria del Fiore em Florença

Pisa foi o lugar mais barato para se chegar de trem saindo de Livorno (€2,50 por passagem e por pessoa) e isso enfatiza a nossa premissa de ficar próximo de cidades famosas, mas não necessariamente nelas.

Economizando nos passeios

Com o tempo a gente pegou o macete de levar um lanchinho (sanduíches, por exemplo) pra esses passeios. Normalmente a gente já chegava na cidade com fome e a tendência para comprar algo caro e sem necessidade é alta nessas horas.

Por isso um sanduíche na mochila salva o bolso e mantém o bom humor. Assim, a gente passou a gastar dinheiro com comida só quando queríamos muito experimentar algo.

Importante: não havia diferença no preço da passagem de trem antecipado ou comprado na hora. Vimos blogs orientando a comprar com antecedência, mas algo deve ter mudado pois o preço era o mesmo. Escrevemos um post sobre como andar de trem na Itália.

No geral, de Livorno fizemos três passeios para cidades vizinhas: Pisa, Lucca e Florença. De Perugia, fomos conhecer a cidade de Assis duas vezes. E de Soriano, visitamos Roma uma vez para comemorarmos nosso aniversário de namoro.

cidade italiana
Jardins de Lucca, Itália

Turismo versus nomadismo

Falando em Roma, é importante saber que ficamos duas noites por lá ao chegarmos na Itália e uma noite antes de irmos embora do país. Isso representou apenas 4% do nosso tempo total por lá, porém gastamos um valor muito alto.

Para você ter uma ideia, o total que gastamos nesses três dias em Roma pagaria um mês de hospedagem nosso.

Em apenas três dias, tivemos um gasto de 148€ com hospedagem em Roma, 132€ com alimentação e 118€ com transporte (considerando metrô dentro da cidade e trem do aeroporto até Roma e na hora de ir embora de Soriano pra Roma).

Nessas horas fica claro pra gente o quanto nosso estilo de vida mais slow nos faz economizar e nos permite conhecer o mundo gastando menos.

Custo de vida na Itália

No geral, conseguimos fazer com que a Itália ficasse dentro do nosso orçamento, mas ainda assim é um lugar caro para se ficar por um longo tempo.

O pessoal que está acostumado com os gastos irrisórios de países do sudeste asiático, por exemplo, vai se espantar com esse valor. Mas os que estão acostumados com esse lado da Europa podem confirmar que os gastos não ficaram tão absurdos assim.

Em resumo, quanto custa morar na Itália?

Hospedagem

Dividindo o valor pago pelo total de dias, Livorno foi a hospedagem mais barata que tivemos, com uma média de 17,64€ por dia. E Soriano foi a hospedagem mais cara com uma diária de 28,20€.

Alimentação

Gastamos mais em Livorno e menos em Perugia. Em Livorno tivemos uma média de 20,51€ por dia, em Perugia 14,83€ e em Soriano 15,80€. Livorno apresentava muitas ofertas de restaurantes e bares que nos fizeram gastar mais. E Soriano, na ponta do lápis, acabou sendo um pouco mais caro que Perugia.

Transporte

Gastamos mais com transporte em Perugia, com uma média de gastos por dia de 2,36€, e menos em Soriano, com a média de 1,80€ por dia.

No geral, colocando todos os custos na ponta do lápis chegamos a uma média de gastos por dia para cada cidade: em Livorno foi de 40€, em Perugia 38€ e em Soriano 45€.

Slow Travel

Esse é o legal de poder observar o todo: a gente vê que mesmo que alguns gastos aumentem, outros diminuem e acabam equilibrando na conta. Levando essa média em consideração, percebemos que o gasto foi maior em Soriano devido a quantidade menor de dias que ficamos na cidade, frisando ainda mais a importância do nosso modo de vida mais slow.

Lembre-se que ficamos em cidades pequenas e nada turísticas. Se você sonha em morar em Roma ou Florença, por exemplo, os gastos serão muito mais altos que esses que apresentamos aqui, principalmente a hospedagem.

cidade italiana
Florença, Itália


Esse foi o nosso balanço de quanto custa morar na Itália, dentro da experiência que tivemos.

É importante que a gente siga documentando esses gastos mensais para termos uma noção de onde podemos melhorar e quais pontos devemos observar antes de decidirmos o próximo destino. Seguiremos abrindo nossos custos a cada lugar que passarmos durante essa vida nômade.

Achamos válido compartilhar esse tipo de post para darmos alguma noção pra você, que esteja procurando um novo lugar pra ficar por um tempo – nômade ou não.

Esperamos que isso possa facilitar seu processo de planejamento para os próximos destinos. Se ficar alguma dúvida, deixa a pergunta aqui nos comentários que a gente responde!

Escrito por:
Magapo
nesse post falamos de

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