Como é morar em Montreal, no Canadá

22 de Setembro de 2020

Nesse post falamos como foi morar em Montreal por quase seis meses, 165 dias pra ser exato. O Canadá virou o país que moramos por mais tempo depois do Brasil. Foi o segundo país na nossa jornada nômade e vou resumir como foi essa nossa experiência.

Chegamos em julho de 2019, vindos de uma temporada de três meses na Itália e ficamos no Canadá até janeiro de 2020. O plano inicial era de ficarmos só o primeiro mês em Montreal, talvez dois, e partir para outras cidades desse que é o segundo maior país do mundo.

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Nossa casinha por quatro meses em Montreal

É um país bem grande. Pensávamos que seria simples achar outros lugares para ficarmos dentro do nosso orçamento. Ledo engano.

Por uma questão financeira, que iremos detalhar melhor em um outro post, acabamos ficando só em Montreal. Aceitamos a realidade e aproveitamos ao máximo para vivermos like a local em uma das cidades mais cosmopolitas do mundo.

O que descobrimos foi uma diversidade cultural vasta. Para exemplificar isso, deixo aqui algumas curiosidades que mostram o caldeirão de influências que se encontra facilmente em Montreal:

  1. Filmamos um casamento de um brasileiro com um grego celebrado por um monge budista;
  2. Fomos em um festival de cultura do Oriente Médio e Norte da África com barracas de vários países. As pessoas cantavam e dançavam juntas como se fosse um final de novela ou filme (mais especificamente o final de Star Wars IV para quem gosta de referências);
  3. Em um festival de cultura japonesa, o principal mestre samurai era um canadense loiro que falava a língua nipônica fluente com todo mundo.

Mergulhamos nessa cultura globalizada durante esses quase seis meses morando em Montreal. Respiramos diversidade cultural dentro dos mercados, nos restaurantes, através das pessoas e também na nossa rotina.

Nota: Neste post deixamos linkados os apartamentos que nos hospedamos pelo Airbnb. Caso você ainda não tenha cadastro na plataforma, cadastrando-se através deste link você ganha um desconto de até R$ 200 na sua primeira reserva e junto nós também ganhamos uma contribuição menor.

Qual cidade morar no Canadá?

Se a sua prioridade for custo de vida, Montreal. Se você quiser uma cidade com cara de Europa, Quebec. Se quiser ter uma experiência de cidade grande e moderna, Toronto. Caso o seu foco seja sempre que possível explorar aqueles paraísos de cachoeiras e lagos canadenses, Edmonton ou Calgary. E se você gosta da cultura oriental e quer evitar ao máximo o rigoroso inverno canadense, Vancouver.

Claro que existem as cidades menores onde o custo de vida é ainda mais baixo, mas deixamos as cidades maiores listadas aqui em cima pra você ter uma noção de como é o país.

Nosso plano inicial era ficar em Montreal por um mês ou dois e seguir rumo à costa oeste do Canadá. Eu já havia trabalhado em Toronto em 2009 e queria ver como a cidade estava desde então. Além disso, queríamos ver aquelas paisagens icônicas que vêm à cabeça quando pensamos no Canadá.

É importante dizer que escolher Montreal foi uma decisão financeira acertada, pois descobrimos lá que a cidade, dentre as grandes, é a que tem o custo de vida mais barato.

O Canadá como um todo está há alguns anos tendo uma bolha financeira imobiliária por conta da chegada de imigrantes com dinheiro suficiente para comprar quarteirões de imóveis sem sequer negociar preço.

O distrito de Quebec, onde fica localizada Montreal, tem o francês como a língua principal e isso afasta muito os imigrantes endinheirados que estão comprando cada vez mais imóveis no Canadá. Ao menos em Montreal não estaríamos gastando tanto dinheiro quanto gastaríamos nas outras cidades.

Por que Montreal?

Não sabíamos que o Canadá era tão caro quando decidimos ir para lá. Compramos a passagem antes mesmo de sair do Brasil e ir para a Itália. Precisávamos apresentar uma passagem de saída da área Schengen em até três meses (tempo de duração do visto da Itália), por isso compramos com antecedência.

De toda forma tínhamos um motivo pessoal para ir pro Canadá: desde que nos conhecemos, logo nos primeiros encontros, um falava pro outro da vontade de ir morar lá assim que possível. A coisa ficou realmente estranha quando um artista bêbado na rua, tentando vender a sua peça de teatro, apontou pra gente e disse que nós dois podíamos ir morar no Canadá.

A sugestão de ir para Montreal especificamente veio após assistir a um episódio do programa do Pedro Andrade na GNT. Segundo ele, a cidade compete na quantidade de restaurantes por habitante com, nada mais, nada menos, que Nova York.

cidade de montreal
Recém chegados em Montreal, no verão

Ficamos empolgados até com a possibilidade de vender nossos serviços de fotografia para os restaurantes e isso teve peso na decisão de irmos morar em Montreal. Outro fator bem importante foi que pra lá encontramos a passagem mais barata saindo de Roma.

Onde ficar em Montreal?

Hochelaga-Maisonneuve

Alugamos o total de três casas pelo Airbnb em três bairros diferentes. A primeira, logo para os primeiros dias após a nossa chegada, foi uma espécie de hostel. Tínhamos um quarto privado, mas o banheiro e a cozinha eram compartilhados com outros hóspedes.

Nosso primeiro Airbnb em Montreal

O espaço externo era a melhor parte da casa e provavelmente um dos melhores que curtimos até então. Tinha uma decoração mais aconchegante, com umas luzes e uns bancos para sentar, tomar umas cervejas e ficar de boa até mais tarde. A casa ficava no bairro Hochelaga-Maisonneuve e, segundo nos disseram, era um bairro mais “perigoso”, mas nos sentimos seguros e gostamos do que vimos por lá.

Outremont

A segunda casa que ficamos foi a mais cara que já pagamos na vida, principalmente considerando que ficamos lá por um mês. Ainda assim, foi a opção mais barata que encontramos, dentro das condições mínimas que a gente precisa, e conseguimos alguns dólares de desconto por parte do dono.

A localização dela era muito boa considerando que era próxima ao metrô, mas não era nada próxima de mercados. Ficava em um bairro estudantil e residencial, chamado Outremont, ao lado da Universidade de Montreal, mas afastada de tudo.

airbnb canadá
O prédio onde nos hospedamos por um mês

Lembro que tínhamos que andar por pelo menos vinte minutos até chegar no supermercado mais próximo, que nem era um dos mais baratos da cidade. Na volta, carregando muitos quilos de compras, torcíamos para não ter deixado de comprar nada. O bairro era bem gostoso, mas não nos atendia.

Pagamos bem caro pela estadia: 50% a mais do nosso orçamento! Isso porque choramos um desconto. O apartamento era bom, mas tava bem longe de valer esse preço.

Com o tempo, percebemos que os valores do Airbnb realmente estavam acima da média praticada por aluguéis comuns. Tentamos encontrar essas opções de aluguel, mas não tivemos sorte. Estava tudo tão caro que tivemos que optar por alugar um quarto individual ao invés de uma casa inteira, mas ainda assim choramos para que o preço ficasse dentro do nosso orçamento.

Notre-Dame-de-Grâce

Foi assim que a gente chegou na terceira e última casa que ficamos em Montreal. Dividimos esse espaço por quatro meses com um casal um pouco mais novo que nós, ela canadense e ele estadunidense. E não posso esquecer de mencionar Alphonse, o gato.

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Nosso quartinho por 4 meses

A casa ficava no bairro Notre-Dame-de-Grâce, ou mais popularmente conhecido como NDG. Curtimos muito a vibe do lugar, bem residencial e tranquilo.

Tirando o detalhe do preço – que acabou ficando no limite do nosso orçamento para apenas um quarto -, a casa era muito aconchegante. No inverno a temperatura interna não ficava abaixo de 20 graus, não importa a nevasca que tivesse caindo lá fora. O chão de madeira era algo que nos remetia ao chão de taco do nosso apartamento em Botafogo. Era confortável ficar pela casa e tivemos muitos momentos felizes ali durante esse tempo.

Nossa salinha de descanso

Culinária canadense

Existe uma culinária típica canadense? Ficamos bastante tempo por lá, mas não foi o suficiente para chegar a uma conclusão sobre o que é a cultura canadense. Se não fosse o francês como a língua oficial de Quebec, província onde fica Montreal, poderíamos achar facilmente que estávamos em mais uma cidade estadunidense.

Aliás, a culinária canadense tem influência muito forte do seu vizinho, os Estados Unidos, e o vizinho do seu vizinho, o México. Ir ao mercado é uma grande evidência disso, pois encontramos junk food a rodo, além de várias opções para fazer comida mexicana.

O mercado em Montreal

Sendo ainda mais sincero, é fácil encontrar comida de praticamente qualquer lugar do mundo nos supermercados. Algumas culinárias que são mais famosas e consumidas, como a indiana, são encontradas com facilidade nos supermercados comuns.

Pudemos encontrar também alguns supermercados específicos de outros países, como o português, que tem várias opções de comida brasileira, e o chinês, com opções inclusive do Japão.

Fazíamos nossas compras no Esposito e no Metro, dois mercados que encontramos próximos das casas que ficamos. A única coisa que não comprávamos neles eram frutas, que costumávamos comprar em um hortifruti pelo caminho.

Super dica: um dos amigos que fizemos na cidade nos apresentou um site/app chamado Flipp, onde você consegue filtrar por um ingrediente que queira comprar e ele te lista todos os preços dele em todos os mercados da região. Assim, você consegue saber qual o mercado mais barato pra comprar aquele ingrediente!

Achamos isso sensacional e usamos muito pra comprar carne, que assim como na Itália, era bem cara. Ou seja, só comprávamos quando tinha promoção. Nos sentimos muito locais fazendo isso hehehe. É bem coisa de mãe que junta todos os panfletos de mercado e corre atrás do menor preço!

O café da manhã canadense

O Canadá é muito famoso pelo maple syrup, o mel que é extraído da árvore cuja folha se encontra na bandeira do país. Trata-se de um xarope bem doce que eles utilizam da mesma maneira que a gente utiliza o mel no Brasil, com o adicional que eles têm o hábito de comer waffle no café da manhã e o maple syrup vai por cima de tudo.

Café da manhã: torradas, iogurte, waffle, aveia, maple syrup e frutas vermelhas

Outra coisa bem presente na vida dos canadenses, ao menos de Montreal, é o bagel. Isso foi algo que me surpreendeu muito positivamente e se eu pudesse, trocaria fácil o pão francês no Brasil por ele.

Por último, a fama local do Canadá é o tal do poutine. Uma batata-frita com bastante queijo e um molho de gordura por cima. Isso daqui a gente não curtiu mesmo. O molho deixa a batata-frita murcha e é bem enjoativo. Ele não passa no teste daquela pergunta “vale a pena engordar por isso?”. As pessoas conseguem comer isso em qualquer refeição, mas o mais comum é no lanche ou jantar.

bagel
bagel | Foto: Kreated Media

A arquitetura de Montreal

Montreal é uma metrópole com jeito de cidade pequena. Quando chegamos definimos a cidade como sendo uma Nova York desacelerada. Andar por Montreal era uma das melhores partes de explorar a cidade. Ela é grande e dependemos do metrô ou ônibus para praticamente todos os lugares.

Então sempre que tínhamos a oportunidade para caminhar ao invés de pegar transporte público, dávamos preferência pra isso.

O contraste arquitetônico e a segurança

As casas são bem antigas, com uma certa imponência europeia na fachada que contrasta com um amigável jardim de subúrbio americano. Isso predominava nos bairros residenciais, onde as casas são maioria. Já no centro da cidade você encontra edifícios mais altos e modernos e uma gama de restaurantes imensa.

Nos bairros residenciais, você só encontra esse tipo de casinha!

Nos sentíamos seguros durante todo o tempo, não importava a hora que estávamos caminhando na rua. Teve um dia que saímos muito tarde do cinema, estava tudo bem silencioso e a iluminação logo atrás do shopping que estávamos não era muito boa. Bastou virar uma esquina para darmos de cara com um monte de gente sem preocupação nenhuma mexendo nos seus celulares.

Aqui vale dizer que somos um casal de cariocas traumatizado com a violência do Rio.

Lugares para trabalhar em Montreal

Algo que se tornou hábito na nossa rotina enquanto estávamos em Montreal foi trabalhar em bibliotecas.

Nossa opção natural, e até de preferência nas primeiras vezes, era por cafeterias. Só que é muito difícil não gastar uma quantia razoável de dinheiro, já que obviamente a gente pedia algo para beber e comer. Com o dólar canadense subindo, vimos que esse gasto não estava valendo a pena. Como não podíamos levar comida para as cafeterias, passamos a frequentar bibliotecas.

Acredito que a gente tenha ido em pelo menos cinco bibliotecas enquanto estivemos por lá. Percebemos que cada bairro tinha uma e, dependendo do tamanho do bairro, até mais de uma.

Esses ambientes se tornaram o nosso habitat favorito para trabalhar e ler revistas e livros. Foi um retorno à infância. Algumas eram mais funcionais e até simples, outras eram lindas, do tipo que a gente entrava e ficava admirando o ambiente interno, o apelo visual que algumas ofereciam mostrando o lado de fora. Eram ambientes realmente muito amigáveis, dava gosto ficar horas por lá.

E o melhor: totalmente abertas ao público e gratuitas. Você só precisa ter cadastro se quiser alugar um livro.

BAnQ Vieux-Montréal: dá pra trabalhar nesse lugar sem pagar nada, nem precisa de cadastro!

O clima em Montreal

O clima é um personagem que dita a vida no Canadá. Haviam duas coisas que queríamos ver: as folhas laranjas e vermelhas das árvores antes delas caírem e a neve. Conseguimos ver as duas coisas e na mesma estação: o outono.

Estações bem definidas

Conseguimos pegar quase todas as estações: verão, outono e inverno. Deixamos a primavera pra uma próxima visita. Notamos que as estações são muito bem definidas.

Assim que chegamos ainda era verão, deu até tempo de irmos numa piscina pública para dar um alivio no calor canadense pouco acima dos 30ºC. Inclusive essa é uma ótima dica pra você que curte um programa gratuito: Montreal é cheia de piscinas públicas espalhadas pelos bairros, acredito que a maioria seja gratuita. Essa que fomos era só chegar e entrar na água!

Kent Park Swimming Pool: piscina pública em Montreal. Só chegar!

Quando virou o mês de setembro, a temperatura começou a cair e parafraseando a música de Sandy & Jr: outono é sempre igual, as folhas caem em Montreal. Elas deixaram de ser verde para ficarem amarelas e vermelhas para depois começarem a cair.

Algo realmente único de se ver. Só a visão que tivemos no dia que fomos no Parc Mont Royal já valeu a pena termos ido para o Canadá. Parece que tudo fica mais claro, o clima estava bem gostoso e já dava para usar um casaquinho.

outono em montreal
Outono em Montreal, inclusive essa atrás é a estufa da Westmount Public Library

Chegamos a começar a fazer exercícios no campo de futebol ao lado da casa que ficamos, mas já no final do mês de outubro a temperatura beirava os 0ºC e por isso não dava para a gente ficar muito tempo do lado de fora. Por conta disso, passamos a fazer exercícios em casa mesmo.

O inverno em Montreal

Quando virou o mês de novembro, o jogo mudou completamente: já não tinham folhas nas árvores, o vento estava bem gelado e a sensação térmica começou a se manter negativa ao longo dos dias e principalmente das noites.

Foi quando veio a neve.

Pela primeira vez pudemos ver neve caindo na cidade. Tínhamos visto ao longe lá na Patagônia Argentina, no Ushuaia, mas nunca tínhamos visto a neve caindo. Estávamos muito ansiosos por esse momento, não conseguimos nem dormir direito quando soubemos quando iria nevar pela primeira vez.

Nessa noite que nevou, a temperatura ficou um pouco abaixo de 0ºC. Mas com o passar das semanas, principalmente quando entrou dezembro, a temperatura caiu mais 30 graus e chegou à -33ºC: foi o dia que aprendemos o que é passar frio.

Estávamos agasalhados, bem protegidos. Essa proteção toda é suficiente para que você saia do metrô e consiga chegar andando em casa, não dá pra ficar muito tempo do lado de fora a essa temperatura.

inverno em Montreal
O beco atrás da nossa casa no inverno

Nosso bairro NDG no inverno!

Foi assim que ficou claro que existem duas Montreal: uma para o final da primavera, verão e início do outono, quando as atividades ao ar livre são variadas e você pode curtir muito mais a vida externa da cidade, e outra quando fica frio e seus rolês passam a ser o de sair de casa, pegar o metrô e ir para o espaço subterrâneo que foi criado justamente para o inverno.

Essa grande área com comércio e opções de alimentação fica na parte central da cidade, com acesso ao metrô e principais prédios. Desse modo as pessoas não precisam ficar andando pela área externa e se expondo ao frio.

Durante o inverno ainda tem muita coisa para se fazer: a cidade não pára, mesmo com metros de neve acumulada que chegam a ultrapassar o nível dos carros. A gente ficou meio acanhado, principalmente porque o sol se põe bem mais cedo no hemisfério norte nessa época do ano: mal dava quatro horas da tarde e já estava escuro.

O clima assustou e deixou a gente um tanto quanto desanimado com a cidade. Passamos a tomar cápsulas para repor a vitamina D, já que não tínhamos mais como pegar sol. Ter tanta restrição com relação à vida externa fazia com que a gente passasse muito tempo em casa, víamos menos as pessoas e passamos a sonhar com dias de calor.

Saúde mental no inverno

Muita gente nos alertou de como o inverno influencia no humor das pessoas, e como a taxa de suicídio do país aumenta nessa época. O inverno é bem rigoroso e o frio predomina na maior parte do ano no país. A Barbs entrou em uma possível curva da depressão no começo do inverno devido a alguns acontecimentos intensos, como a perda da avó estando longe, o aniversário da mãe logo em seguida e o dela própria no mês seguinte. Isso tudo aconteceu no período de dois meses seguidos.

Ela já fazia terapia antes de virarmos nômades e migrou pra online desde que começamos a viajar, e que foi de grande ajuda nesse período em especial. Ela ficou um pouco apática, sem vontade de sair de casa ou fazer qualquer coisa, e com certeza o clima também deu aquele empurrãozinho pra piorar a situação.

Qual língua falar em Montreal?

Apesar do francês “québécois” (leia-se “quebecoá”) ser a língua oficial do Quebec, os quebequenses são bilíngues e falam o inglês normalmente. Foram raras as vezes em que nos deparamos com alguém que não falasse inglês. A Barbs sabe falar francês e conseguiu se comunicar bem, mas acabávamos recorrendo ao inglês na maior parte das vezes por questões de zona de conforto.

Era bem engraçado ver como as duas línguas são tão presentes, como por exemplo nas filas de mercado eles sempre falavam o tal do suivant-next para chamar o próximo da fila. E o famoso bonjour-hi pra dizer bom dia-oi! Dá pra perceber que o francês sempre vem primeiro na fala, assim como na escrita, onde o destaque é em francês e abaixo em inglês.

Por conta disso, era muito tranquilo falar a língua que você se sentisse mais confortável entre o francês e o inglês. Inclusive nossa host da última casa era nascida e criada em Montreal, mas só falava inglês. Sabia um pouco de francês, mas não era sua primeira língua.

Os canadenses

Fomos muito bem tratados em Montreal. Não tivemos nenhum problema com relação a isso, muito pelo contrário: os canadenses de Montreal se mostraram muito simpáticos e acolhedores conosco.

Nossos hosts da última casa nos receberam bem demais, viramos amigos e tivemos muitas longas conversas no período em que ficamos por lá. Cozinhamos juntos, bebemos, e ainda jogamos Catan!

Pra você ter uma noção, nosso voo de saída do Canadá era de Toronto e por conta disso pensamos em passar uns dias na cidade. Deixamos a última semana pra irmos pra lá, mas acabou ficando bem caro pro nosso orçamento. Mencionamos isso com a Charlotte, nossa host, e ela nos ofereceu ficar na casa de graça até o dia do voo!

Ela passou o final do ano nos Estados Unidos com o Johnny, namorado dela e nosso host também, e nos deixou cuidando da casa sozinhos durante esse tempo. E de quebra nos oferecemos cuidar do Alphonse (o gato) enquanto estavam fora, o que não deu trabalho nenhum e nos deixou ainda mais apegados.

Eles sempre faziam questão dizer que já “somos de casa”, nos deixavam muito à vontade pra tudo. Foi bem bacana a relação que desenvolvemos com eles. Com certeza nos hospedaremos lá sempre que estivermos pela cidade!

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nossa família de Montreal: Charlotte, Johnny e Alphonse, o gato ❤

Os brasileiros em Montreal

Quando estávamos na Itália, não procuramos por nenhum conhecido e não interagimos com nenhum brasileiro na nossa rotina. Mas quando chegamos em Montreal, vimos que a comunidade brasileira é bem maior, além de vários amigos, familiares e seguidores conhecerem alguém que estava por lá.

Passamos a encontrar várias pessoas só para bater um papo, tomar um café e trocar histórias. Houve alguns casos de coincidências que deixaram a gente bem chocados:

  1. Descobrimos que havia um casal lá em Montreal que chegou a morar no mesmo prédio que a gente em Botafogo, numa época que eu já estava morando nesse bairro. Uma amiga que estudou comigo indicou eles e a coincidência foi bizarra. A gente morava no 401 e eles no 701;
  2. Filmamos o nosso primeiro casamento na cidade, em um evento bem íntimo para poucos convidados, mas logo as duas primeiras pessoas que chegaram eram um casal que deu aquele “match” com a gente. Até em show de drag queen nós fomos juntos!;
  3. Uma amiga da psicóloga da Bárbara estava dando aula numa universidade de Montreal e marcamos também de nos encontrarmos. Ela e o marido são um pouco mais velhos, só que com um espírito bem mais jovens. Fomos em alguns eventos juntos e foram momentos sensacionais;
  4. Quando ainda estávamos na Itália, descobrimos um canal no YouTube que passamos a acompanhar de dois fotógrafos e videomakers que moravam no Canadá. Entramos em contato com eles e descobrimos que eram de Montreal. Nos conhecemos e viramos amigos, passeamos bastante com eles e até fizemos um vídeo pro nosso canal e pro deles. Até snowboard fizemos!;
  5. Recebi uma mensagem de um cara no LinkedIn chamando a gente pra bater um papo e tomar um café. Conversamos por horas e fizemos mais um amigo;
  6. Conhecemos um casal nômade que estava de passagem pela cidade e batemos um papo super bacana.

snowboard canadá
O Vander ensinando a Barbs a fazer snowboard

Com os dois primeiros dessa lista a gente passou a noite e o dia de natal, respectiva e separadamente falando, além de vários outros encontros. Com o casal do terceiro ponto pudemos ver os fogos de artifício e a pista de patinação que abre no final do ano, num clima bem de ano novo.

Foi essa rede de apoio que nos ajudou a lidar com o clima da cidade.

Estava frio, mas para sair e encontrar com eles valia a pena.

Estava frio, mas eles tinham dicas do que comprar e onde comprar para ajudar a lidar com o clima.

Estava frio, mas eles estavam dispostos a buscar ou deixar a gente em casa para irmos visitar alguma outra cidade por perto.

Acabamos nos conectando muito mais com brasileiros do que com os canadenses, e só temos a agradecer por todo o acolhimento dos amigos que deixamos lá. Sem eles, esses seis meses teriam sido entediantes.

Vale a pena morar em Montreal?

Quando pensamos nos custos que tivemos com a nossa vida nômade, fica claro que, para nós, não vale a pena morar em Montreal. Tivemos que abrir mão de algumas coisas para que o orçamento não ficasse tão estourado. Gastamos muito comendo fora por conta da oferta de restaurantes e culinárias do mundo todo (até comida tailandesa comemos!).

Só que quando penso nessas pessoas e tantas outras coisas que não daria para listar, percebo que apesar do preço, por conta delas, valeu a pena sim. Como sempre, as pessoas fazem o lugar.

Acredito que o Canadá seja um país para quem quer mudar de vida, buscar emprego e ter um estilo de vida diferente do Brasil. Não conheci nenhuma história de gente que ficou rica, como ouvimos quando vamos aos EUA. A maior parte das pessoas estão vivendo bem, ainda que com bastante aperto por conta do clima que pode ser cruel.

Fizemos um cálculo do custo de vida em Montreal com relação ao salário mínimo do país em comparação ao custo de vida no Rio de Janeiro com o salário mínimo da cidade e descobrimos que o custo de vida dos cariocas é muito mais elevado do que quem mora em Montreal e ganha em dólar. Ou seja, o caro é caro pra gente, que tem a reserva em reais (moeda que só tem se desvalorizado).

Particularmente quero voltar ao Canadá e conhecer outras cidades, principalmente na costa oeste. Sabendo que elas serão ainda mais caras, precisaremos nos preocupar ainda mais com os custos da viagem, mas pelo que temos escutado, são lugares que vale a pena ir ao menos uma vez na vida.

Talvez em um momento em que a gente esteja ganhando em dólar / euro ou que o real esteja mais valorizado. Certamente faremos isso para visitar os amigos que fizemos por lá, então que seja com menos preocupação por conta do câmbio. Por ora, fica a nossa saudade das pessoas, de frequentar as bibliotecas, de comer bagel e de brincar com o Alphonse.

alphonse
Tem como resistir?

Essa foi nossa experiência em Montreal como nômades. Pra nós, morar em Montreal foi um aprendizado em diversos aspectos: aprendemos a economizar mais, entendemos que dá pra fazer amigos mesmo que você tenha que dar tchau sem previsão de quando irá vê-los novamente e aprendemos que o frio não te impede de continuar tendo uma vida normal.

Se você quer aproveitar bem a cidade sem passar muito perrengue de frio, sugerimos ir em junho e julho, mas se você quer conhecer o verdadeiro frio em Montreal, vá a partir de novembro que as temperaturas caem bastante até fevereiro.

Nós pegamos um mês e meio de calor intenso e a partir do final de agosto a temperatura foi caindo aos poucos. Conseguimos pegar todas as estações, menos a primavera.

E se você é do tipo de pessoa que curte ouvir sobre esse assunto, gravamos um episódio do nosso podcast sobre como foi essa experiência. Se você é mais visual, fizemos alguns vídeos por lá também.

Já morou em Montreal ou em outra cidade no Canadá? Iremos adorar ler seu relato, fica à vontade pra contar aqui embaixo pra gente!

Aproveita e salva esse pin pra lembrar depois!

como é morar em montreal

Escrito por:
Magapo

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Gabi Ramalho
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Gabi Ramalho

isso que eu chamo de review! hahaha
sabe que sempre que leio postagens de pessoas que moram fora do brasil, eu percebo o quão ignorante eu sou sobre outras culturas. canadá, por exemplo, era algo que eu não sabia NADA. apenas que existia hahaha adorei o post e as fotos!

Taís
Visitante
Taís

Wow que megaaaa review mesmo sobre a experiências de vocês em Montreal. Antes de me mudar pra Irlanda eu tinha canadá como uma opção (só que no meu caso eu tinha interesse em Calgary e Vancouver), a vida me levou pra outro canto do mundo, mas ainda tenho vontade de conhecere esse país, principalmente a região das montanhas.. um país de tirar o folego mesmo e as cidades maiores parecem sem ber interessantes tb. Esse post de vcs com certeza vai ajudar quem precisa de mais informações sobre a vida em montreal 🙂